Começa assim: Aos cinco anos de idade, o pai do Moacyr, José Scliar desembarcou em Porto Alegre com toda a família depois de mais de um mês de viagem desde a Rússia até o Brasil. Como todo mundo mais ou menos sabe, a viagem dos imigrantes não era lá nos padrões de um cruzeiro transatlântico, as condições eram precárias, com racionamento de água e comida.
Eis que um vendedor de bananas, ao ver aquele moleque franzino e magricela, julgou que ele devia estar com muita fome e se prontificou a oferecer a ele uma banana. Lógico que o garoto não pensou muito para aceitar a oferta, mas depois que aceitou não soube o que fazer com ela, já que nunca tinha visto aquele tipo de fruta na vida! Como não sabia falar português e muito menos o generoso vendedor sabia falar russo, a barreira da linguagem fez com que ele tivesse que se virar sozinho.O que ele fez? Lembrou de uma fruta que já conhecia na Rússia, a laranja, que era oferecida com um presente à pessoa que estivesse fazendo aniversário. Pensou: “bom, já sei que uma parte dessa fruta deve ser comestível e outra não”. Bingo! Descascou a banana, jogou o “caroço” que estava dentro fora e comeu toda a casca. Disse o Moacyr que até o final da vida o pai garantia que na hora da fome uma casca de banana não cai tão mal.
E ponto final.


Na vida dos tempos modernos a pressa virou desculpa pra se comer mal. McDonalds, Miojo, congelados em geral, enfim, uma série de coisas que podem até ser gostosas, mas como alimento e qualidade fazem juz ao apelido de "porcarias".















